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	<title>Marcelo Coelho</title>
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	<description>Cultura e crítica</description>
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		<title>Exposição: gravuras e quimonos</title>
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		<pubDate>Thu, 23 May 2013 15:56:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[arte japonesa]]></category>
		<category><![CDATA[palácio dos bandeirantes]]></category>
		<category><![CDATA[ukiyo-e]]></category>
		<category><![CDATA[Utagawa Kunisada]]></category>

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		<description><![CDATA[Este “Tríptico de Figuras Bonitas”, de Utagawa Kunisada, é de 1854, e está na exposição “A arte dos quimonos e as gravuras japonesas no acervo dos palácios [do governo estadual].” A mostra fica de 29 de maio (quarta-feira que vem) <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/23/exposicao-gravuras-e-quimonos/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este “Tríptico de Figuras Bonitas”, de Utagawa Kunisada, é de 1854, e está na exposição “A arte dos quimonos e as gravuras japonesas no acervo dos palácios [do governo estadual].”</p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/utagawa.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-894" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/utagawa-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a></p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/utagawa21.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-896" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/utagawa21-215x300.jpg" alt="" width="215" height="300" /></a><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/utagawa3.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-897" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/utagawa3-209x300.jpg" alt="" width="209" height="300" /></a></p>
<p>A mostra fica de 29 de maio (quarta-feira que vem) até 28 de julho no Palácio dos Bandeirantes. São 30 gravuras e cerca de 30 quimonos, que, estes, vêm da coleção do <span style="color: #ff0000"><a href="http://www.museubunkyo.org.br/"><span style="color: #ff0000">Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil</span></a></span>.</p>
<p>Menos mal, aliás. Seria curioso se os governadores do Estado tivessem sua coleção de quimonos para uso público ou privado.<br />
Os quimonos, diz o release, estão divididos pelos temas das estampas (objetos, leques, fitas) e técnicas de confecção (pintados, bordados, tramas). Há quimonos bordados com fios de ouro. Como no Japão as estações do ano são bem definidas, ainda há um quimono para cada uma delas.</p>
<p>Quanto às gravuras, “denominadas ukiyo-e, refletem a estética do mundo flutuante associada à prosperidade da cultura urbana nipônica no período Edo (1600-1867), envolvendo o processo de impressão sobre papel de palha de arroz em xilogravura. A temática aborda o teatro kabuki, os guerreiros e as mulheres de entretenimento, também conhecidas como<strong> figuras bonitas</strong>. O quimono é retratado constantemente, revelando o requinte das técnicas de tessitura, tingimento e tecelagem. Segundo a curadora Ana Cristina Carvalho, a imagem dos quimonos é, portanto, a ponte que integra as duas coleções.&#8221;</p>
<p>Este é um quimono de 12 camadas.</p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/Quimono.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-898" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/Quimono-258x300.jpg" alt="" width="258" height="300" /></a></p>
<p>Palácio dos Bandeirantes<br />
Avenida Morumbi, 4500<br />
Morumbi &#8211; São Paulo/SP<br />
Data: de 29 de maio a 28 de julho<br />
Horário de visita: de terça a domingo, das 10h às 17h (de hora em hora)</p>
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		<title>Não saia de casa</title>
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		<pubDate>Wed, 22 May 2013 05:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Folha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Versão impressa]]></category>

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		<description><![CDATA[O problema de Barack Obama, disse outro dia uma ex-assessora, “é que na verdade ele não gosta muito de gente”. Até surpreende, continuou Neera Tanden, “que ele seja um político. Não telefona para ninguém e não é próximo de muitas <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/22/nao-saia-de-casa/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O problema de Barack Obama, disse outro dia uma ex-assessora, “é que na verdade ele não gosta muito de gente”. Até surpreende, continuou Neera Tanden, “que ele seja um político. Não telefona para ninguém e não é próximo de muitas pessoas nem no seu partido”.</p>
<p>Apesar das muitas dificuldades e hesitações do presidente americano, eis aí um motivo a mais para eu simpatizar com ele. Custa a confessar, mas sinto o mesmo: não acho fácil gostar de gente.</p>
<p>Por espírito democrático, durante anos eu me sentava ao lado do motorista de táxi. Até que aprendi o óbvio:  quem não tem disposição para conversar com o taxista faz melhor se ficar no banco de trás. Não garante que você fique a salvo de ouvir bobagens, mas protege um pouco.</p>
<p>O inferno são os outros, disse Sartre —e, se a frase costuma ser citada por todo mundo, não é menos verdade que funciona especialmente bem entre intelectuais.</p>
<p>Claro, para citar agora a Simone de Beauvoir, ninguém nasce intelectual. A pessoa se torna intelectual, ou nerd, ou matemático, porque prefere a companhia de livros, computadores e números à dos “amiguinhos” da escola.</p>
<p>Concluo, ainda militando a meu favor, que está errada uma frase clássica da direita populista. A saber, a de que “esses intelectuais de esquerda não gostam de povo”.<br />
Não é que não gostem de povo. Não gostam de gente, em geral. Marilena Chaui, por exemplo, afirma detestar a classe média.</p>
<p>Se definirmos classe média como o grupo que se vê refletido nas páginas de “Veja”, concordo. A classe operária, se for definida como o grupo que se vê refletido nos programas do Datena, não se sai melhor.</p>
<p>Sim, tenho bons amigos e preciso deles. Se vou a um jantar, divirto-me, conto casos, derrotei há muito a própria timidez. Mas faço um esforço, cada vez maior, aliás, para sair de casa.</p>
<p>“Nunca saí de casa sem ter levado porrada”, resumiu o escritor Pedro Nava. Felizmente não digo o mesmo. Às vezes cumpro até um desafio: o de obter um sorriso, uma risada, de cada pessoa com quem encontro. Como certo personagem de Racine, cubro de flores a borda do grande abismo.</p>
<p>Depois, tudo fica tão mais fácil com a internet. Mesmo a ida ao shopping, relativamente segura e confortável, perde para a comodidade de se comprar qualquer porcaria em casa.<br />
Escrevo essas coisas pensando no problema das cidades. Nem preciso falar da Virada Cultural. A iniciativa é excelente (eu é que não vou). Serve para que os habitantes de São Paulo se reapropriem de um espaço tomado pelos carros e pelos mendigos.</p>
<p>Mas é uma luta de vida ou morte, como se viu com as vítimas desse último fim de semana.<br />
O problema não se limita a São Paulo. Tome-se a maratona de Boston. A ideia, ainda uma vez, é inventar um uso “saudável”, ou “cultural”, para o espaço urbano. Não se trata mais de viver a cidade no seu dia a dia, mas de produzir “eventos”. Esses se esgotam em si mesmos.</p>
<p>Não são mais procissões ou comícios, e se alguém quer cuidar da saúde pode perfeitamente correr sozinho. A ideia é juntar gente. Celebrar, se quisermos, a experiência de um corpo coletivo.</p>
<p>A luta de vida ou morte, também nos Estados Unidos, se fez presente. Uma bomba caseira pode fazer mais estragos do que dez arrastões paulistanos.</p>
<p>A saída parece ser a de tornar o espaço público um espaço vigiado. As câmeras previnem, ou pelo menos ajudam a punir, a ação dos agressores da cidade.</p>
<p>O direito de ir e vir, de conviver com os semelhantes, torna-se uma espécie de “sursis”, de liberdade condicional —e a igualdade se resolve nos números afixados no crachá do maratonista, se não forem os números da ficha policial.</p>
<p>Ao colapso do espaço público corresponde a hipertrofia do espaço privado. O símbolo disso veio também dos Estados Unidos. Um maníaco sequestra menininhas, cobre de tábuas as janelas da própria casa, promove toda sorte de abusos, e os vizinhos não sabem de nada.<br />
Fechado no seu núcleo protetor, sem admitir um raio de sol dentro de casa, aquele infeliz cultivava o fungo fantasioso do incesto.</p>
<p>Lá fora, na maratona, ou na escola modelar, outro maníaco dispara a esmo ou detona bombas na multidão. Pedofilia e terrorismo se completam. Entre o espaço público e o privado, inventou-se a terra de ninguém, a prisão sem dono, com jaulas a céu aberto: o campo de Guantánamo.</p>
<p>Quem sabe? Na escala dos que não gostam de gente, talvez eu não seja dos mais exagerados.</p>
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		<title>Livros: &#8220;Homo Sacer&#8221; &#8211;cont.</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 15:14:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[giorgio agamben]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais algumas dúvidas sobre “Homo Sacer”, que comentei em post anterior. No primeiro capítulo da segunda parte, Giorgio Agamben apresenta o conceito que dá nome ao livro. É uma ideia de grande alcance. Apesar de sua origem no direito romano, <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/21/livros-homo-sacer-cont/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_885" class="wp-caption alignleft" style="width: 237px"><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/agamben.jpg"><img class="size-full wp-image-885" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/agamben.jpg" alt="" width="227" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Giorgio Agamben (epistrofe.wordpress.com)</p></div>
<p>Mais algumas dúvidas sobre “Homo Sacer”, que comentei em post anterior.<br />
No primeiro capítulo da segunda parte, Giorgio Agamben apresenta o conceito que dá nome ao livro. É uma ideia de grande alcance. Apesar de sua origem no direito romano, a figura de um ser humano que se reduz apenas ao mínimo de um “ser vivo”, sem mais nada, é atualíssima.<br />
Os prisioneiros de Auschwitz, os prisioneiros de Guantánamo, os habitantes da cracolândia, os imigrantes ilegais da Europa e dos Estados Unidos seriam exemplos dessa espécie de não-cidadãos, de não-pessoas, jogados num limiar em que só sua existência biológica é reconhecida.<br />
Mas vamos ao texto romano. É um trecho escrito por Festo, no seu “Tratado sobre o significado das palavras”.<br />
Homem sacro é, portanto, aquele que o povo julgou por um delito; e não é lícito sacrificá-lo, mas quem o mata não será condenado por homicídio; na verdade, na primeira lei tribunícia se adverte que “quem matar aquele que por plebiscito é sacro, não será considerado homicida.” Disso advém que um homem malvado ou impuro [malus atque improbus] costuma ser chamado sacro.<br />
Seria longo demais, aqui, reproduzir todas as ambiguidades e raciocínios que Agamben desenvolve na leitura desse texto. Agamben cita outros comentadores, que notam a aparente contradição: esse homem tem ao mesmo tempo estatuída sua “sacralidade”, e é “matável”.<br />
Não pode ser “imolado” num sacrifício, mas quem o mata não será considerado homicida. Pode ser morto e não pode ser morto? A partir daí se estende uma série de interpretações. Para alguns, ele seria objeto de uma espécie de tabu: venerado e maldito ao mesmo tempo. Para outros, propriedade dos deuses inferiores, e portanto insacrificável.<br />
Agamben prefere resolver a ambiguidade desse “homem sacro” de outra maneira. O “homem sacro” se situa na confluência de duas exceções. Uma exceção à lei humana –que proíbe alguém de matar o outro, sendo que aqui é lícito matá-lo&#8211;, e uma exceção à lei divina, porque o homem sacro é excluído de toda forma de sacrifício ritual.<br />
Com o instrumento da “exceção”, Agamben parte para o âmbito da teoria política. A esfera da exceção, à qual se submete o “homo sacer”, é a esfera da soberania política.<br />
Soberania é a esfera na qual se pode matar sem cometer homicídio e sem celebrar um sacrifício, e sacra, isto é, matável e sacrificável, é a vida que foi capturada nessa esfera.<br />
Interrompo essa exposição sumária das ideias de Agamben para exprimir uma dúvida bastante simples.<br />
Afinal, qual é a ambiguidade daquele texto romano citado no início? Até onde posso ver, não existe nenhuma.<br />
Homo sacer é apenas o condenado à morte por algum grave malefício ou improbidade [será que “improbus” quer mesmo dizer “impuro”?].<br />
No decorrer do mensalão, acho, ouvi de um dos ministros a referência a um antigo bordão jurídico. O corpo do réu é sagrado. No sentido de que ninguém pode tocar nele enquanto não for condenado. Sua integridade física é dever do Estado. Pois bem, depois de condenado à morte, é evidentemente lícito matá-lo. O criminoso, entretanto, não serve para ser sacrificado aos deuses em algum ritual qualquer –não seria, claro, oferenda aceitável a um deus, tanto por ser um bandido quanto pelo fato de que afinal vão matá-lo de qualquer jeito, não existindo nenhum “sacrifício” nisso.<br />
O conceito de “homo sacer”, portanto, não teria nada de misterioso. É o condenado à morte. Parece ser esta, aliás, a interpretação de Mommsen, que Agamben descarta em meio a certa névoa argumentativa.</p>
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		<title>Exposição: Casas voadoras</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 03:17:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Flying Houses]]></category>
		<category><![CDATA[Galeria Lume]]></category>
		<category><![CDATA[Laurent Chéhère]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotos de Laurent Chéhère, em exposição na galeria Lume a partir de 23 de maio. Diz o release que o fotógrafo inspirou-se, para sua manipulação digital, no filme &#8220;O Balão Vermelho&#8220;, que mostrava um menino atrás do balão perdido pelos <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/21/exposicao-casas-voadoras/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fotos de Laurent Chéhère, em exposição na <span style="color: #0000ff"><a href="http://baladycom.comunicacaodemkt.com/registra_clique.php?id=H%7C26286417%7C170158%7C7069&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.galerialume.com%2F"><span style="color: #0000ff">galeria Lume</span></a> </span>a partir de 23 de maio.</p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/laurentchehere2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-881" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/laurentchehere2.jpg" alt="" width="448" height="632" /></a></p>
<p>Diz o release que o fotógrafo inspirou-se, para sua manipulação digital, no filme &#8220;<span style="color: #800000">O Balão Vermelho</span>&#8220;, que mostrava um menino atrás do balão perdido pelos bairros de Paris.</p>
<p>&#8220;A ideia que norteia a série “Flying Houses” surgiu em 2008, durante andanças do artista por Belleville e Ménilmontant, bairros localizados na região nordeste de Paris. &#8216;Meu interesse é mostrar a vida dessas pessoas e suas moradias. Essa parte da cidade é muito pobre e em cada metro quadrado é possível explorar uma rica diversidade cultural&#8217;, conta o artista.&#8221;</p>
<p>Chéhère, continua o release, <strong></strong>&#8220;usa paleta cromática similar ao filme, com predominância de tonalidades frias, principalmente cinza e azul, e também marrom. As personagens principais desses trabalhos – as construções – são digitalmente criadas a partir de detalhes arquitetônicos fotografados nos subúrbios e periferias da cidade, justamente onde foi filmado “Le Ballon Rouge”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/laurent1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-880" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/laurent1.jpg" alt="" width="1152" height="648" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>voltaire de souza</title>
		<link>http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/20/voltaire-de-souza-12/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 17:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[voltaire de souza]]></category>

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		<description><![CDATA[Novas intervenções do cronista do &#8220;Agora&#8221; COPO DE CÓLERA Fraude. Ganância. Adulteração. Estão pondo formol no leite das crianças brasileiras. Evanda não continha a indignação. &#8211;Absurdo. Até no leite. A substância é nociva para a saúde a longo prazo. &#8211;Ouviu <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/20/voltaire-de-souza-12/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Novas intervenções do cronista do &#8220;Agora&#8221;</p>
<p>COPO DE CÓLERA</p>
<p>Fraude. Ganância. Adulteração.<br />
Estão pondo formol no leite das crianças brasileiras.<br />
Evanda não continha a indignação.<br />
&#8211;Absurdo. Até no leite.<br />
A substância é nociva para a saúde a longo prazo.<br />
&#8211;Ouviu isso, Salém?<br />
O marido não respondia. Largado no sofá.<br />
&#8211;Vai demorar o dia em que esse aí se preocupa com o leite.<br />
Evanda pôs o rádio no máximo volume.<br />
&#8211;Quando falsificarem a cerveja&#8230;<br />
O copo escorregava das mãos do sexagenário.<br />
&#8211;Ele nem vai perceber.<br />
Evanda foi varrer o chão.<br />
&#8211;Vai, Salém. Afasta o pé.<br />
A indiferença e a falta de comunicação eram a norma daquele lar.<br />
&#8211;Desço a vassoura esse cretino.<br />
Teria sido inútil. O marido estava morto desde o meio-dia.<br />
Alguns casamentos são como o leite.<br />
Quando não azedam, é que encheram de formol.</p>
<p>DINHEIRO NA CAIXINHA</p>
<p>Amor. Carinho. Dedicação.<br />
Os cartórios agora não têm desculpa.<br />
Estão obrigados a oficializar a união dos gays.<br />
Dona Berenice não estava de acordo.<br />
&#8211;Reconhecer firma, tudo bem. Mas reconhecer a sem-vergonhice&#8230;<br />
Ela era escrivã há mais de vinte anos.<br />
Na fila, duas belas mulheres queriam se casar.<br />
Júlia reconheceu dona Berenice.<br />
&#8211;A senhora não foi bedel numa escola do prezinho?<br />
O Externato Dona Baratinha cuidara de Júlia na mais tenra infância.<br />
&#8211;Fiiita no cabeeelo&#8230; e dinheeeiro na caixiiinha&#8230;<br />
A lembrança enterneceu o coração de Berenice.<br />
Ela teve direito até a um selinho de Júlia na hora do champanhe.<br />
E revê profundamente sua própria opção sexual.<br />
O amor é como um documento no cartório.<br />
Primeiro vem o selo, depois a carimbada.</p>
<p>BARULHO NO QUINTAL</p>
<p>Carinho. Amor. Dedicação.<br />
O Dia das Mães era importante para dona Odete.<br />
&#8211;Tenho filhos ótimos.<br />
O almoço de domingo foi caprichado.<br />
&#8211;Os presentes, então&#8230;<br />
Belas joias dos três filhos.<br />
&#8211;E ainda tem gente que defende o aborto.<br />
Olhou para o filho mais velho. O Simas.<br />
&#8211;Imagine se eu tivesse tirado você.<br />
Simas enxugava o restinho de vinho.<br />
&#8211;Vai, mãe. Nem pensa nisso.<br />
&#8211;Mas eu pensei. Pensei, sim.<br />
Um barulho no lado do quintal.<br />
Era o Dadinho. Treze anos. E uma pistola na mão.<br />
&#8211;Assalto. Cadê as joias do Dia das Mães? He he.<br />
Odete teve o impulso inexplicável.<br />
&#8211;Vem. Me abraça. Eu te adoto.<br />
Ficou com as joias. E com a pistola de presente.<br />
Dadinho promete bom comportamento.<br />
Num coração de mãe, por vezes, se entra até pela porta dos fundos. </p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Livros: &#8216;&#8221;Homo Sacer&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 15:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[giorgio agamben]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio nestes dias o famoso “Homo Sacer”, do filósofo Giorgio Agamben –tido como uma das referências inevitáveis do pensamento crítico contemporâneo. Há trechos muito difíceis, como seria de esperar. As passagens mais compreensíveis me deixam, entretanto, bastante desconfiado quanto à <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/19/livros-homo-sacer/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leio nestes dias o famoso “<a href="http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/HOMO-SACER-O-PODER-SOBERANO-E-A-VIDA-NUA-I/22171346"><span style="color: #993366">Homo Sacer</span></a>”, do filósofo Giorgio Agamben –tido como uma das referências inevitáveis do pensamento crítico contemporâneo. Há trechos muito difíceis, como seria de esperar.<br />
As passagens mais compreensíveis me deixam, entretanto, bastante desconfiado quanto à precisão e ao rigor das leituras feitas por Agamben.<br />
Um exemplo, na parte 3, capítulo 2. O trecho analisa a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, de 1789. O primeiro artigo diz:<br />
“Os homens nascem e permanecem livres e iguais em [seus] direitos”.<br />
O segundo artigo diz:<br />
“O fim de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem “.<br />
No terceiro artigo, estabelece-se que<br />
“O princípio da soberania reside essencialmente na nação”.<br />
Vejamos como Agamben interpreta esses três artigos. Ele vê uma ambiguidade a partir do título da declaração. Afinal, trata-se dos direitos “do homem” [do ser vivo homem] ou “do cidadão” [como “animal político”]?<br />
Ele vinha explorando, ao longo do livro, a distinção entre o conceito grego de ‘zoé’, vida pura, vida orgânica, vida animal, vida “nua”, e o conceito de ‘bios’, “a forma ou maneira de viver própria de um indivíduo ou de um grupo”. Nesse sentido, os gregos falavam em vida contemplativa, vida política etc., usando o termo “bios”, mas não faria sentido usar “zoé” nesse contexto.<br />
Voltando à sua análise da “Declaração dos Direitos”. Agamben identifica nesse documento o fato de que “é justamente a vida nua natural [zoé], ou seja, o puro fato do nascimento, a apresentar-se aqui como fonte e portador do direito”. E isso, para Agamben, não é bom sinal, como sabemos durante a leitura do livro.<br />
A vida natural é posta na base do edifício politico, diz ele, para em seguida dissolver-se na figura do cidadão. “E precisamente porque inscreveu o elemento nativo no próprio coração da comunidade política, a declaração pode atribuir a soberania à ‘nação’ [...] A nação, que etimologicamente deriva de ‘nascere’, fecha assim o círculo aberto pelo nascimento do homem”.<br />
Agamben resume: “o nascimento –isto é, a vida nua natural como tal—torna-se aqui o portador imediato da soberania”. Mais: “o princípio da natividade e o princípio da soberania [...] unem-se agora irrevogavelmente no corpo do ‘sujeito soberano’ para constituir o fundamento do novo Estado-nação”.<br />
Atenção a esses advérbios e adjetivos de Agamben. Portador “imediato” da soberania? Unem-se “irrevogavelmente”?<br />
O texto da Declaração sugere o contrário. Os homens ao nascer têm e terão direitos iguais. Esse é o dado imediato. Mas o segundo artigo estabelece, justamente, uma mediação, uma outra etapa. Uma associação política se forma com o objetivo de conservar esses direitos. Ou seja, evitar que se percam ou sejam usurpados. Daí, por fim, é que no terceiro artigo se considera que é a partir dessa associação entre homens, e não de qualquer direito divino ou hereditário, que um poder soberano será exercido.<br />
Para Agamben, a ‘vida nua’ se confunde na política moderna com a forma de existir do “sujeito livre e consciente”. Cessa de existir a diferença entre ‘zoé’ e ‘bios’. Na Declaração dos Direitos do Homem, portanto, há uma “ficção implícita”, a de que “o nascimento se torne imediatamente nação, de modo que entre os dois termos não possa existir resíduo algum”.<br />
É como se, em vez de três artigos nitidamente separados, Agamben tivesse lido uma massa única. Está claro, no texto da Declaração, que os direitos surgem no nascimento, e que a associação política se forma para garanti-los, e que o poder político se baseia na soberania de todos que fazem parte da associação. Por isso mesmo o artigo primeiro fala dos direitos do homem, o segundo fala do cidadão, ou seja, do homem em sociedade, e o terceiro fala implicitamente do povo, em sua relação com o Estado. Na leitura de Agamben, é como se os pensadores de 1789 jamais tivessem ouvido falar em contrato social. Não há nada de ‘imediato’ na ligação entre uma coisa e outra.<br />
A intenção de Agamben é clara.<br />
Quando se identifica, já em 1789, uma confusão entre vida biológica e existência politica, supostamente se consegue provar uma linha de continuidade entre a política democrática moderna e o mundo totalitário. Os campos de concentração reduzem a pessoa à sua “vida nua”, ao seu mínimo biológico. Se essa concepção “biológica” surge em 1789, já na declaração dos direitos humanos estava aberto o caminho para os campos de concentração.<br />
É uma tese no mínimo sensacionalista, baseada, neste ponto ao menos, numa interpretação muito discutível do texto.</p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/22171346.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-866" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/22171346.jpg" alt="" width="123" height="180" /></a></p>
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		<title>Teatro: Caleidoscópio</title>
		<link>http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/17/teatro-caleidoscopio/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 May 2013 15:29:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[caleidoscópio]]></category>
		<category><![CDATA[improviso]]></category>

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		<description><![CDATA[Grupos especializados em teatro de improviso, como o “Jogando no Quintal”, não têm como desagradar a plateia. A velocidade, a concentração, o virtuosismo dos atores produz espanto e risadas em todo mundo. Depois de assistir a uns três ou quatro <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/17/teatro-caleidoscopio/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Grupos especializados em teatro de improviso, como o “Jogando no Quintal”, não têm como desagradar a plateia. A velocidade, a concentração, o virtuosismo dos atores produz espanto e risadas em todo mundo. Depois de assistir a uns três ou quatro espetáculos desse tipo, continuo gostando e recomendando, mas é natural que tudo fique um pouco repetitivo, como um show de mágica.<br />
Com “<span style="color: #339966"><a href="http://www.teatrotuca.com.br/espetaculos/espetaculo_caleidoscopio.html"><span style="color: #339966">Caleidoscópio</span></a></span>”, em curta temporada no Tucarena, o grupo de Márcio Ballas dá um passo além da gincana, do estilo de competição em que se baseia o teatro de improviso. Em vez de números isolados, com desafios específicos (do gênero contar uma história em dois minutos, recontá-la de trás para diante, etc.), “Caleidoscópio” cria uma narrativa mais ou menos contínua, e tem a sutileza de não explicitar quais as regras que deverão ser obedecidas pelos atores.<br />
Eles começam em círculo, contando episódios da vida pessoal, a que se alternam perguntas bastante surpreendentes (que acredito inventadas na hora) a respeito do que foi contado. Mas isso é só uma maneira de esquentar o espetáculo, por que aos poucos serão propostas perguntas à plateia. Do gênero: “você se lembra de alguma gafe que cometeu?” Ou “você guarda até hoje algum objeto que foi importante na sua infância?”<br />
Sempre alguém do público se dispõe a responder. Aparentemente, nada é feito das respostas que se fizeram. Mas a improvisação dos atores já começou, e, como num jogo de roda, ou num caleidoscópio, elementos das narrativas apresentadas pelo público serão utilizados no espetáculo.<br />
O resultado pode demorar para acontecer, com alguns momentos arrastados (coisa que a divisão em pequenos desafios, tipo gincana, evitava). Mas, sem deixar de ser engraçado, “Caleidoscópio” consegue algo mais difícil –é uma peça poética, delicada, sem agressões fáceis, ao mesmo tempo em que mostra o virtuosismo e humor dos atores. Formalmente, pelo menos, avança com ousadia para além dos limites do improviso que eu já tinha visto.</p>
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		<title>Tarado é quem reprime</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 06:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Folha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Versão impressa]]></category>

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		<description><![CDATA[Obeso, bundudo, de terno e colete, um senhor de certa idade dá ordens peremptórias ao garçom. “Menino! Aqui. Mais gelo! Mais ge-lo!” A palavra se repete sempre em maior volume, crescendo em precisão, em clareza, em especificidade. “Ge-lo! GE-LÔ!” Trata-se <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/15/tarado-e-quem-reprime/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obeso, bundudo, de terno e colete, um senhor de certa idade dá ordens peremptórias ao garçom. “Menino! Aqui. Mais gelo! Mais ge-lo!”</p>
<p>A palavra se repete sempre em maior volume, crescendo em precisão, em clareza, em especificidade. “Ge-lo! GE-LÔ!”</p>
<p>Trata-se do Doutor Camarinha, o ginecologista alcoólatra de “O Casamento”, adaptação teatral do romance de Nelson Rodrigues em cartaz no Tuca.</p>
<p>Difícil dar ideia por escrito da variedade de sugestões que, na voz do ator Élcio Nogueira Seixas, transparecem nesse simples pedido por mais gelo.</p>
<p>Há, naturalmente, a bebedeira do doutor. Tudo é motivo de comemoração, e ele quer mais gelo como alguém poderia querer mais de tudo —mais música, mais mulheres, mais barulho.</p>
<p>Ao mesmo tempo, sente o prazer do mando, da ordem, da dominação. Repete a palavra “gelo” como se o garçom fosse incapaz de entendê-la. Ou quem sabe porque há muito ruído no salão de festas.</p>
<p>Por ser alcoólatra, talvez o Doutor Camarinha quisesse frisar que está pedindo apenas gelo, e não mais uma dose da bebida. Ou o contrário: tudo não passa de um código entre ele e o garçom, que sabe perfeitamente como encher o copo.</p>
<p>Tudo isso seria o bastante se o universo de Nelson Rodrigues fosse puramente realista. Mas sabemos, como diz o anúncio para desligar os celulares no início da peça, que na imaginação de Nelson Rodrigues “tudo pode acontecer”.</p>
<p>O Doutor Camarinha pede gelo de um modo diferente. Ele tem aquele tipo de exigência obsessiva, de fixação no detalhe, de relação com o objeto, que é típica do perverso, do fetichista sexual.</p>
<p>Ele diz “gelo, ge-lo, GE-LO” como alguém poderia dizer “velas!” ou “chicotes!”. É implicante, detalhista, cri-cri, absurdo, no que tange a seu pedido.</p>
<p>Esse ambiente de perversão generalizada, de sexualização do que não é sexualizável, marca sem dúvida toda a obra de Nelson Rodrigues. O outro burguês da peça, vivido memoravelmente por Renato Borghi, é o doutor Sabino Uchoa Maranhão (“nome límpido e nostálgico de defunto”, segundo o próprio).</p>
<p>O doutor Sabino implica com a secretária, que disca o telefone antigo com a ponta do lápis.<br />
“Por que não usa o dedo? O dedo, doutora Noêmia”, e ele mostra o dedo, “o dedo!” Ele grita. “O dedo serve para discar!”</p>
<p>E o verbo “discar”, ainda mais quando usado no infinitivo, ganha obscuras conotações. Roland Barthes dizia que os atos da perversão sempre se declinam de forma intransitiva.<br />
“Você escreve?” —a pergunta já é suspeita, reflete Barthes. Do mesmo modo, uma das mocinhas da peça pergunta à amiga: “E com ele, você fez? Fez tudo?”.</p>
<p>Tudo, e mais do que tudo, de fato acontece nessa peça; é o que se espera de Nelson Rodrigues: incesto, assassinato, estupro, arremessando cada personagem contra o outro na satisfação mais bestial e triste dos instintos. O ato sexual, desculpa-se um padre, “o ato sexual é só uma mijada”.</p>
<p>Mais pecaminoso, evidentemente, é ter esse pensamento.</p>
<p>Esses pais de família, essas mocinhas casadoiras, não se revelam apenas quando se entregam ao desejo.</p>
<p>O que “O Casamento” ajuda a entender é precisamente o contrário. A repressão aos instintos sexuais é tão pornográfica, tão bestial, tão sombria quanto o ato de libertá-los.</p>
<p>Quando o Doutor Camarinha pede gelo ao garçom, ou faz um discurso contra o homossexualismo (“nem os ratos escapam dessa desgraça!”), ele está tomado por instintos tão irracionais e grotescos quanto os que julga ver nas pessoas que critica.</p>
<p>Situada, como não podia deixar de ser, no Rio de Janeiro dos anos 1950, a encenação de “O Casamento” traz muitos toques estilísticos, no figurino por exemplo, da década de 1970.</p>
<p>Engano pensar, contudo, que aquele mundo repressivo desapareceu junto com as lambretas, a revista “Manchete” e o iê-iê-iê. Basta ver o pastor Feliciano e seus adeptos.</p>
<p>O chefe de igreja pentecostalista que se esfrega em cédulas de dinheiro, o padre pedófilo, o evangélico que abusa de meninos estão todos os dias nos jornais. São perfeitos personagens de Nelson Rodrigues.</p>
<p>“Uma bichinha”, diz Renato Borghi já no fim da peça, “não pode desprezar cinco milhões de patacas!”. Era um ato de desapego ao dinheiro incompatível com seu comportamento sexual. Deve ser por isso que tantos líderes evangélicos são contra os gays.<br />
Pensando bem, o melhor que posso esperar desses deputados é que sejam completos corruptos. A corrupção não é de todo ruim; suponho que seja a melhor arma contra o fanatismo.</p>
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		<title>Livros: Rubem Braga em Paris</title>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 19:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Breton]]></category>
		<category><![CDATA[Cocteau]]></category>
		<category><![CDATA[Picasso]]></category>
		<category><![CDATA[Rubem Braga]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>

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		<description><![CDATA[Tinha tudo para dar certo: o maior cronista brasileiro, Rubem Braga, escrevendo perfis de personalidades como Picasso, Cocteau, Sartre e Duke Ellington. Escritos entre 1950 e 1952, para o “Correio da Manhã” e para a “Folha da Tarde”, estes “Retratos <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/14/livros-rubem-braga-em-paris/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tinha tudo para dar certo: o maior cronista brasileiro, Rubem Braga, escrevendo perfis de personalidades como Picasso, Cocteau, Sartre e Duke Ellington. Escritos entre 1950 e 1952, para o “Correio da Manhã” e para a “Folha da Tarde”, estes “<a href="http://livraria.folha.com.br/catalogo/1199795/retratos-parisienses">Retratos Parisienses</a>” constituem apesar disso uma decepção.<br />
Pesa em quase todas as páginas a melancolia, ou melhor, o desinteresse melancólico do autor. A mesma característica de personalidade que fazia Rubem Braga tirar maravilhas de um evento sem importância acaba operando, aqui, uma mágica em sentido oposto. As personalidades mais interesses da época aparecem reduzidas a sua dimensão mais corriqueira e banal.<br />
“Picasso evita indagar minha opinião política: não tenho interesse em dizer-lhe e também não quero fazê-lo falar sobre política. Na verdade, estou fazendo uma visita à toa, e não quero nada (&#8230;) Há brinquedos de criança pelo chão, e na paisagem do morro há pinheiros, palmeiras, hortas e pomares, cactos no jardim do lado da casa, um tufo de hortênsias floridas do outro lado, uma cigarra que canta em algum canto, uma galinha que cacareja em algum quintal perto.”<br />
As opiniões políticas de Picasso eram totalmente previsíveis naquela época, em que ele desenhava pombas para a campanha soviética “em prol da paz”. Mesmo assim, Rubem Braga sempre há de preferir ouvir as cigarras do que Picasso. Afasta-se do pintor para ficar brincando com a filha pequena, “Colomba”. Não será Paloma?<br />
Falta cuidado nas notas e na revisão, que deixa passar, por exemplo, a seguinte pergunta de Rubem Braga (a respeito de uma exposição de Frans Post): “Por que nos comove tanto esse pedaço da rue Vermeer?”<br />
A menos que exista alguma “rue Vermeer” em Paris, ele se refere a um pedaço de rua num quadro de Vermeer.<br />
Rubem Braga se interessa mais por Sartre, em cuja aparência atarracada identifica mais o camponês alsaciano do que o filósofo então na moda. A aparência de Juliette Gréco naturalmente o deixa mais animado –mas é bem simpático ver de que modo Braga destacou as qualidades e os interesses intelectuais da bela cantora existencialista.<br />
Talvez, no caso de Picasso, Braque, Cocteau, a culpa não seja apenas do desinteresse do cronista; eles já haviam se transformado em monstros sagrados, longe do debate estético mais encarniçado daqueles anos. Nesse sentido, é notável o encontro de Rubem Braga com André Breton, dirigindo ainda, trinta anos depois da “revolução surrealista”, um grupo de seguidores que o jornalista compara, com tristeza, aos maçons e aos positivistas que sobreviviam no Rio de meados do século 20.<br />
Também o tédio parece surgir como reação à condescendência com que Braga julga estar sendo recebido. Um jornalista brasileiro? Ah sim, como não. Amigo de Cícero Dias. Certo, sente-se. O Brasil é muito interessante. Em silêncio, Braga parece responder: “e você não.”</p>
<p><a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/rubembraga.png"><img class="alignnone size-full wp-image-854" src="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/files/2013/05/rubembraga.png" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
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		<title>voltaire de souza</title>
		<link>http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/13/voltaire-de-souza-11/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 21:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[voltaire de souza]]></category>

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		<description><![CDATA[Novos comentários do cronista. A CAPA CONFUNDE Orgias. Abusos. Sem-vergonhice. O pastor Silênio estava preocupado. Ele consultava a Bíblia. &#8211;Onde será que erramos? As notícias, entretanto, não eram favoráveis. &#8211;Quem diria, o pastor Mikelson&#8230; Silênio escrevia uma nota explicando o <a href="http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2013/05/13/voltaire-de-souza-11/">Continue lendo →</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Novos comentários do cronista.</p>
<p>A CAPA CONFUNDE</p>
<p>Orgias. Abusos. Sem-vergonhice.<br />
O pastor Silênio estava preocupado.<br />
Ele consultava a Bíblia.<br />
&#8211;Onde será que erramos?<br />
As notícias, entretanto, não eram favoráveis.<br />
&#8211;Quem diria, o pastor Mikelson&#8230;<br />
Silênio escrevia uma nota explicando o comportamento do colega.<br />
&#8211;Exceção é com s?<br />
Largou a Bíblia e foi procurar o dicionário.<br />
Encontrou o caderninho dos telefones.<br />
&#8211;Tudo capa preta&#8230;a gente confunde.<br />
Veio a inspiração.<br />
&#8211;Vou ligar para o padre Pelozzi.<br />
O experiente clérigo católico talvez pudesse sugerir uma estratégia.<br />
Pelozzi deu uma gostosa e compreensiva risada.<br />
&#8211;Io non disse? Quando se é padre, miglior ficare soltero. Dá menos confuzó.<br />
Religiões são como números de celular.<br />
Mudam bastante. Mas as pessoas são sempre as mesmas. </p>
<p>BOTINHAS BRANCAS</p>
<p>Emoção. Carinho. Fofura.<br />
Dia das Mães. Hora de recordar o passado.<br />
A apresentadora Xuxa reúne suas antigas paquitas.<br />
Era grande a raiva de Bibiane.<br />
&#8211;Não me convidaram?<br />
O marido se chamava Valtinho.<br />
&#8211;Ué. Nunca soube que você foi paquita.<br />
Ela fez cara feia.<br />
&#8211;Você nunca se lembra de nada, Valtinho.<br />
&#8211;Se eu soubesse&#8230;<br />
&#8211;Que diferença ia fazer? Hein?<br />
Não ia bem o relacionamento.<br />
&#8211;Aqueles vestidinhos&#8230; aquelas botinhas.<br />
A chama do amor ameaçava reacender.<br />
&#8211;Prova. Prova que você foi paquita.<br />
As fotos estavam no closet.<br />
De uma caixa de papelão, saiu outra coisa.<br />
A foto de Valtinho com os Menudos. Botinha branca e macacãozinho azul.<br />
&#8211;Ai, lindinho&#8230; vem cá.<br />
A noite foi para maiores de 18 anos.<br />
O verdadeiro amor, sem dúvida, jamais envelhece.</p>
<p>COPO DE CÓLERA</p>
<p>Fraude. Ganância. Adulteração.<br />
Estão pondo formol no leite das crianças brasileiras.<br />
Evanda não continha a indignação.<br />
&#8211;Absurdo. Até no leite.<br />
A substância é nociva para a saúde a longo prazo.<br />
&#8211;Ouviu isso, Salém?<br />
O marido não respondia. Largado no sofá.<br />
&#8211;Vai demorar o dia em que esse aí se preocupa com o leite.<br />
Evanda pôs o rádio no máximo volume.<br />
&#8211;Quando falsificarem a cerveja&#8230;<br />
O copo escorregava das mãos do sexagenário.<br />
&#8211;Ele nem vai perceber.<br />
Evanda foi varrer o chão.<br />
&#8211;Vai, Salém. Afasta o pé.<br />
A indiferença e a falta de comunicação eram a norma daquele lar.<br />
&#8211;Desço a vassoura esse cretino.<br />
Teria sido inútil. O marido estava morto desde o meio-dia.<br />
Alguns casamentos são como o leite.<br />
Quando não azedam, é que encheram de formol.</p>
<p>INGRESSO REDUZIDO</p>
<p>Drama. Comédia. Aventura.<br />
O cinema é, ainda, a maior diversão.<br />
Ronaldo era um bem-sucedido consultor financeiro.<br />
Sua estagiária tinha olhos verdes e cabelos tipo samambaia.<br />
&#8211;Ísis&#8230; que tal um cineminha?<br />
&#8211;Nooossa&#8230; Ronaaaaldo&#8230; tava pensando nissoôô&#8230;<br />
Na hora de entrar no cinema, veio o problema.<br />
&#8211;Xi, Ronaldo. Não trouxe a carteirinha.<br />
Ele tinha comprado duas meias.<br />
O problema do ingresso reduzido causa polêmica no país.<br />
O homem da catraca se chamava Agostinho.<br />
&#8211;Não. A ordem aqui é que a gente só aceita com carteirinha.<br />
Ronaldo criou caso. Ísis desconfiou.<br />
&#8211;Será que é mão de vaca?<br />
No escurinho da sala, o beijo morno.<br />
No motel, a disfunção erétil.<br />
O amor é como o cinema.<br />
Para passar pela catraca, é necessário exibir o documento.</p>
<p>A TELA NÃO É TUDO</p>
<p>TVs. Geladeiras. DVDs.<br />
Os eletrodomésticos tornam a vida melhor.<br />
Eduarda chamou as amigas.<br />
&#8211;Para estrear meu home theater.<br />
Tela gigante. Alta definição.<br />
Filmes europeus preenchiam a solidão do apartamento.<br />
&#8211;Uns petiscos&#8230; um cinzano&#8230;<br />
As amigas chegaram animadas.<br />
&#8211;Hum. O que vai ser hoje?<br />
Eduarda mostrou o filme pirata.<br />
&#8211;Gladiadores de Tibério.<br />
Produção italiana de alto conteúdo erótico.<br />
Na hora de ligar o DVD, uma faísca. Imagens escuras tomaram conta da tela.<br />
&#8211;Cinquenta tons de cinza. É isso?<br />
O técnico Felício apareceu no dia seguinte.<br />
O cinzano foi oferecido com biscoitinhos.<br />
Eduarda curte bastante o físico atlético do rapaz.<br />
&#8211;Alta definição. E nem precisa de óculos 3 D.<br />
Quando a tecnologia falha, a natureza dá o seu recado.</p>
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