É preciso ter foco, diz a advogada Rosa Maria Cunha, integrante da recém-criada Comissão da Verdade. Ela reage às declarações de outro membro do grupo, o advogado José Carlos Dias, que considera necessário “investigar tudo”, ou seja, também as violações aos direitos humanos de quem lutou contra a ditadura.
Acho que a Comissão deveria ter foco, sim, mas penso num outro tipo de foco.
Não será produtivo examinar, um a um, os casos de tortura e desaparecimento. Dois anos seria prazo curto demais para isso.
Acho que a comissão deveria privilegiar duas coisas.
1- Tornar público e acessível todo tipo de arquivo relacionado à tortura, de modo que pesquisadores autônomos, escritores, biógrafos e jornalistas possam levantar, cada qual com seu “foco” o máximo de fatos.
2- Investigar qual a participação dos “graúdos” –presidentes, generais, ministros—no processo. Quem sabia, quem deixou, quem não sabia? Esse vespeiro é que precisa de uma comissão oficial, respaldada pela presidente da República, para ser mexido.
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